(mordidas mansas)














(por vezes bravas)



morder
 
os legumes
e o cacau,
à beira-mar,
em dias
e dias
de enganos;
afundando
ao vento
cogumelos
duns e doutros;
sem nada
de nada
ao colo
e recortando
fotos
de cães.

sacudindo
dias
de conversas
no camarote.

comendo
causas,
políticas
e erros
de um lado
e do outro;
fixando
de repente
o que tem
a praia:
letras
e girafas.



morder
o mundo

 
todos os minutos
todas as horas
todas as semanas
em francês
e em inglês



morder
os sons

 
em 5 minutos
debaixo de água
conhecendo
lendo
sentindo
e comprando



morder
as imagens

 
pessoais
amadoras
profissionais
em movimento
brevemente
aqui



morder
as palavras

 
sentidas
no escuro
em busca
de tempo



morder
o passado

 
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terça-feira, julho 22, 2003




"Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
"

Eugénio de Andrade


Entrámos na água ao mesmo tempo. Avançámos lentamente até ela nos cobrir as pernas, a cintura, o tronco. E ficámos frente a frente em silêncio, à distância de uma respiração. Apenas ouvindo o som que a água faz quando deixamos os braços a vaguearem livres quase à superfície. Ninguém nos podia ver. Com a ponta dos dedos desenhei a curva dos teus ombros molhados, espalhando as gotas de água. Um raio de lua acariciou-te a face. Sorriste-me. Fugiste-me. Nadaste até eu te perder no escuro. Onde estás, sereia?

Jorge Moniz às 08:58 |