(mordidas mansas)














(por vezes bravas)



morder
 
os legumes
e o cacau,
à beira-mar,
em dias
e dias
de enganos;
afundando
ao vento
cogumelos
duns e doutros;
sem nada
de nada
ao colo
e recortando
fotos
de cães.

sacudindo
dias
de conversas
no camarote.

comendo
causas,
políticas
e erros
de um lado
e do outro;
fixando
de repente
o que tem
a praia:
letras
e girafas.



morder
o mundo

 
todos os minutos
todas as horas
todas as semanas
em francês
e em inglês



morder
os sons

 
em 5 minutos
debaixo de água
conhecendo
lendo
sentindo
e comprando



morder
as imagens

 
pessoais
amadoras
profissionais
em movimento
brevemente
aqui



morder
as palavras

 
sentidas
no escuro
em busca
de tempo



morder
o passado

 
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sábado, agosto 16, 2003



Hoje fui ver a Mariza ao anfiteatro Keil do Amaral em Monsanto. Eu não gosto de fado, esta foi uma daquelas viagens culturais exploratórias que um tipo tem de fazer de vez em quando para não passar a vida a ouvir U2 e Irmãos Catita.

O fado é o fado, ela tem uma voz boa, que faz lembrar muito a Amália mas isso já tou eu farto de ouvir.

O que me surpreendeu foi a maneira como ela canta as musicas. Não para de dançar, conta sempre uma história sobre a música que se segue e consegue manipular o publico com uma leveza agradável. (O Pedro Aburrinhosa manipulava o publico como quem conduzia um carro de bois)

Parece-me que ela conseguiria transformar o espectáculo mais formal num fado vadio.

Ela não actuava em Lisboa à perto de um ano, e tentou uma coisa que lá fora deve resultar bem. Desceu do palco e foi para o meio do público cantar. Tas-se mesmo a ver, apareceu logo um emplastro a beijar a mão. Tas-se mesmo a ver os seguranças logo a tratarem de por na ordem o animal. Apesar de tudo a coisa resolveu-se, em parte por ela ter levado todo da descontracção.

Como nota negativa do conserto, apenas uma senhora já com idade para ser uma varina reformada mas com a voz ainda muito boa.. Achou que um conserto ao ar livre, com 250 pessoas a assistir era a melhor ocasião para encetar uma conversa com a interprete.



Daniel às 03:44 |