(mordidas mansas)














(por vezes bravas)



morder
 
os legumes
e o cacau,
à beira-mar,
em dias
e dias
de enganos;
afundando
ao vento
cogumelos
duns e doutros;
sem nada
de nada
ao colo
e recortando
fotos
de cães.

sacudindo
dias
de conversas
no camarote.

comendo
causas,
políticas
e erros
de um lado
e do outro;
fixando
de repente
o que tem
a praia:
letras
e girafas.



morder
o mundo

 
todos os minutos
todas as horas
todas as semanas
em francês
e em inglês



morder
os sons

 
em 5 minutos
debaixo de água
conhecendo
lendo
sentindo
e comprando



morder
as imagens

 
pessoais
amadoras
profissionais
em movimento
brevemente
aqui



morder
as palavras

 
sentidas
no escuro
em busca
de tempo



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o passado

 
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sexta-feira, agosto 15, 2003



Ora bem, para quem está farto de poesia lá vai mais uma critica literária aqui do primo.

Gostaram do Rambo? Sempre deliraram com os filmes do senhor Governador Sewarsneger, Svardsneger, Schwarzenegger, Shwarsnegger ou Schwardsnegger? (quem acertar no nome correcto do Arnaldo ganha um prémio)

Pois bem, em caso de resposta afirmativa venho aqui indicar que a leitura indicada para as vossas sanguinárias pessoas é a Ilíada de Homero.

Não acreditam? Ora vejam...

“Feriu-o no ventre perto do umbigo. Todas as suas entranhas se derramaram no solo, e a sombra velou-lhe os olhos...”

pag. 299, 1º paragrafo; edição de bolso da Europa-América


Não é o caso mas podem verificar que Homero passa muito tempo a relatar feridas às articulações. Isto deve-se aos Gregos acharem que os golpes mais letais eram os aplicados nas principais articulações e não nos órgão vitais.

O livro relata o inicio do cerco de Tróia (ou Ílion, dai Ilíada)pelos Aqueus (Gregos). Nop, ainda não é a parte do cavalo, isso é 10 anos depois.

É corta-corta, mata-mata do inicio ao fim. E para quem gosta de crueldade para com animais, estes tipos não davam um passo sem oferecer uma hecatombe aos deuses, que Homero tem a bondade de relatar com todos os pormenores.

“Depois de terem orado espalhado e cevada não moída, elas esticaram para o céu a cabeça das vítimas, degolaram-nas e esfolaram-nas: cortaram as coxas, envolveram-nas numa dupla camada de gordura, e puseram sobre elas pedaços de carne crua. O ancião queimo-as sobre lenha rachada e, por cima, verteu vinho flamejante. (...) Logo após as coxas terem sido abrasadas e as vísceras comidas...”

pag. 22, 4º paragrafo, edição de bolso da Europa-América


Apesar desta ferocidade toda, estes tipos, quando guerreavam eram um bocado amadores. Era assim:

Iam para a batalha todos bem aperaltados e bem organizados em falanges. Quando a pancadaria começava era cada um por si. Se um tipo matava outro não tinha mais nada, agarrava no presunto e levava-o para fora do combate. Ai espoliava o cadáver e ia correr à tenda deixar o espólio. Depois voltava para a batalha... Quando vieram os Romanos devem ter achado muito difícil dar uma sova a estes Gregos malucos...

Acho que os Gregos viam estas expedições guerreiras como nós vemos uma ida ao Colombo na véspera de Natal. Mesmo assim devia ser giro ver a mulher dizer para o marido: “...e mata alguém que calça o 38 que o teu filho precisa de uma sandálias nova...”

Agora deixem-me estragar o fim do livro... Aquiles morre com uma seta no calcanhar... Aha, aposto que ninguém sabia desta...


Daniel às 01:36 |