(mordidas mansas)














(por vezes bravas)



morder
 
os legumes
e o cacau,
à beira-mar,
em dias
e dias
de enganos;
afundando
ao vento
cogumelos
duns e doutros;
sem nada
de nada
ao colo
e recortando
fotos
de cães.

sacudindo
dias
de conversas
no camarote.

comendo
causas,
políticas
e erros
de um lado
e do outro;
fixando
de repente
o que tem
a praia:
letras
e girafas.



morder
o mundo

 
todos os minutos
todas as horas
todas as semanas
em francês
e em inglês



morder
os sons

 
em 5 minutos
debaixo de água
conhecendo
lendo
sentindo
e comprando



morder
as imagens

 
pessoais
amadoras
profissionais
em movimento
brevemente
aqui



morder
as palavras

 
sentidas
no escuro
em busca
de tempo



morder
o passado

 
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terça-feira, agosto 05, 2003



Tenho visto que isso anda animado por aí na rádio e televisão. O Acontece que sempre vai acabar, a TSF em mudanças...

Por cá é o Estado que tem, e gosta de ter, o papel principal. Da RadioFrance fazem parte pelo menos meia-dúzia de estações, entre as quais três de informação. Na televisão há 2,5 canais públicos. O "meio-canal", a France5, é o chamado canal educativo: documentários e afins. Em ambos os casos a influência do Estado nota-se menos nalgum sectarismo da informação política, do que na declarada função de educar as massas. A ideia é: os meios de comunicação do Estado servem para formar as pessoas e defender a cultura francesa.
É também em nome desta chamada "excepção cultural" que, por exemplo, é proibida a publicidade na televisão aos filmes que estreiam no cinema. Para proteger o cinema francês e evitar que desapareça à conta do americano.
O proteccionismo é de tal maneira, que existe uma categoria profissional única no mundo, chamada "intermitentes do espectáculo". São os actores, músicos, técnicos, etc., que trabalham em cinema, teatro, música, televisão e estão dependentes de contratos e eventos pontuais. Esse regime confere-lhes um ano de subsídio de desemprego por cada 500 h de trabalho (digamos 3 meses a horários normais). Naturalmente que o sistema entrou num défice brutal e agora tenta-se baixar o subsídio para 8 meses. E naturalmente que os intermitentes entraram em greve: festivais de verão, óperas, concertos cancelados e, de vez em quando, um telejornal invadido.
Em nome da defesa da cultura francesa, o que me choca é a desigualdade em relação a outras pessoas com empregos precários, mas não culturais. E também me lembro duma coisa espantosa: como é que nos outros países há pessoas para fazer música, teatro, cinema...?
(Ah: os actores e músicos famosos renunciam ao direito ao subsídio de desemprego. Também só faltava.)

Talvez se esqueçam que o proteccionismo não costuma resultar. Se todo o século XIX e parte do século XX a França era a cultura dominante no mundo, não foi devido a proteccionismo. E o mesmo é válido depois para a inglesa/norte-americana.

Mas voltando à comparação com as nossas rádios e televisões, tenho pena da volatilidade dos programas em Portugal. A permanência durante várias épocas também contribui para a fidelização do público. Se as audiências da TSF até estão a aumentar, para quê mexer? Por aqui, pelo menos há cinco anos que na FranceInfo os jingles são os mesmos, o tipo que apresenta a meteorologia é o mesmo, etc. Na TF1, o apresentador do telejornal está naquele lugar há 19 anos. E não sei como fazem, mas à noite os programas começam à hora marcada.

Jorge Moniz às 08:22 |