(mordidas mansas)














(por vezes bravas)



morder
 
os legumes
e o cacau,
à beira-mar,
em dias
e dias
de enganos;
afundando
ao vento
cogumelos
duns e doutros;
sem nada
de nada
ao colo
e recortando
fotos
de cães.

sacudindo
dias
de conversas
no camarote.

comendo
causas,
políticas
e erros
de um lado
e do outro;
fixando
de repente
o que tem
a praia:
letras
e girafas.



morder
o mundo

 
todos os minutos
todas as horas
todas as semanas
em francês
e em inglês



morder
os sons

 
em 5 minutos
debaixo de água
conhecendo
lendo
sentindo
e comprando



morder
as imagens

 
pessoais
amadoras
profissionais
em movimento
brevemente
aqui



morder
as palavras

 
sentidas
no escuro
em busca
de tempo



morder
o passado

 
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quinta-feira, março 25, 2004


00:00,001


Foi muito rápido. Primeiro tive a sensação de te ter visto. Na fracção de segundo seguinte percebi que desta vez não estava a transformar a cara de alguém na tua. Voltei a olhar. Um pequeno rabo-de-cavalo apanhava-te o curto cabelo, que dançou quando também viraste a cabeça. Levaste os dedos aos lábios, beijaste-os e estendeste o braço na minha direcção com a palma da mão aberta. Ao mesmo tempo esboçaste um ligeiro sorriso, apenas com os lábios, que os olhos continuaram tristes e interrogativos. Nenhum de nós abrandou o passo enquanto nos cruzávamos. Na pressa do momento apenas tive tempo também de levantar o braço e acenar - sem beijo lançado. Penso ter sorrido com mais convicção, mas não sei (é que raramente mostramos toda a vontade causadora de um gesto). No instante seguinte já olhávamos de novo na direcção do caminho de cada um. A mesma direcção, os sentidos opostos. Foi muito rápido. Muito mais rápido do que as sucessivas câmaras lentas que se seguiram. Ao meu lado alguém perguntou: "Quem era?"

Jorge Moniz às 21:44 |